sexta-feira, 19 de agosto de 2011

PANCADAS DE MOLIÈRE

 «Ao som da terceira, aí, sim, se apagam as luzes, abrem-se as cortinas e o silêncio, assim sugerido, dá espaço à viagem, na qual tudo é possível: o público mostra-se visivelmente preparado para embarcar, a história é contada, a mensagem é lançada e os artistas, consequentemente, já estão concentrados para encarnar os personagens

E aqui estou eu. Escondida por detrás de uma cortina poeirenta, separada da multidão ruidosa que aguarda impaciente por se avistar movimento no palco e que a peça comece.
Todas as estreias são assim. Mesmo que a peça não seja um prodígio dramático mas sim uma reprodução trágico-cómica da vida insossa desta "Ana sem lógica".

Aviso desde já que o guião será uma colecção disparatada de desabafos, de emoções que por impulso dão origem a palavras. Para muitos, não farão sentido. Para poucos (para ti, quem sabe?) não será preciso acrescentar mais nada, o que lês fala por nós.
 
Depois de muito hesitar, chega a hora. Estou no palco. As cortinas abrem, a luz encandeia-me, o silêncio ensurdece.

O espectáculo vai começar.

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