Eixos do mal,
Desordem mundial,
Há tanta gente quilhada
Com todo o respeito
Andamos por aí
Sempre a mandar vir
Como é que é?
Entre a cerveja e o café
Contestatários inatos
Com todo o respeito
Temos de pagar pelo material de guerra.
Desaparecem os blindados.
A república sabe receber bem,
Gasta milhões que, por acaso, não tem.
Este parque automóvel corta a respiração
Muito acima da nossa realidade
Enquanto os sem-abrigo se vão arrumando, Alguém vai ter de pagar
Entre recordações e algumas mantas, Com todo o respeito Outros cuidam da sua aparência
E droga circula à nossa frente Os centros comerciais engolem a gente
Tanta corrupção neste país Alguns vão comprar, outros só vão olhar
Arrogância e ganância sempre impunes E há quem consiga roubar
E as sopas dos pobres lá estão Com todo o respeito
Com todo o respeito
Os impostos disparam, apertamos o cinto.
Isto é para toda a gente, salvo raras excepções
Até alguém dizer: chega
Com todo o respeito
Falta virem taxar-me pelo ar que respiro,
Pelo passo que dou, cada vez que espirro.
Hão-de arranjar maneira
Com todo o respeito.»
JORGE PALMA - COM TODO O RESPEITO
38 anos depois, somos um bando de cordeirinhos assustados e obedientes a quem nunca nos respeitou.

