Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.»
ALEXANDRE O'NEILL
Queria que as minhas palavras fossem ao encontro das tuas quando a distância nos aparta e te enchessem da minha presença pela noite fora, suprimindo o desassossego que nos corrói e essa solidão voluntária que te consome. Gostava de escrever palavras que te beijassem e que num simples texto te contassem o que sinto, sem que to tivesse de dizer e tu de o ouvir; palavras que escrevessem o nó que tenho na garganta, para que percebesses, por fim, o que o receio nunca me deixou dizer-te.
Ser no fundo, nada mais que poeta de emoções: poder brincar com sentimentos como quem faz e desfaz rimas num pedaço de papel riscado, nele aliviar a alma quando, como agora, esta transborda e me pesa mais que o peito suporta.
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