segunda-feira, 22 de agosto de 2011

(DES)DRAMATIZAR

«Porque a vida, individual ou colectiva, pessoal ou histórica, é a única entidade do universo cuja substância é o perigo. Compõe-se de peripécias. É, rigorosamente falando, drama.
Nós não nos demos a vida, mas esta nos é dada; encontramo-nos nela sem saber como nem por quê; mas do facto de que ela nos é dada resulta que temos de fazê-la nós mesmos, cada um a sua.
A cada minuto precisamos de decidir o que vamos fazer no minuto seguinte, e isto quer dizer que a vida do homem constitui para ele um problema permanente

JOSÉ ORTEGA Y GASSET


Problema permanente... um zumbido constante nos ouvidos, um conjunto de martelinhos que pisam e repisam os neurónios como se fossem cordas de um piano. Porém, o que de nós sai está longe de ser uma harmoniosa melodia, mas sim uma desafinada desordem de sons desconexos.

Estamos todos no mesmo barco. Mais cedo ou mais tarde, padecemos das mesmas dores, dos mesmos problemas, do mesmo descontentamento imutável. Somos feitos da mesma matéria, pais da mesma ambição, perseguidores inveterados da metáfora subjectiva do sucesso. Falhamos todos no mesmo.

Deixamo-nos ludibriar pela utopia, na inocência de que o mundo não passa de uma bola de algodão doce que comemos a bel-prazer, até que a nossa existência passa a ser meramente rotineira, uma desilusória hipérbole de frustrações. Os ideais doces de outrora transformam-se numa realidade enjoativa: o fracasso tolda-nos a mente, as lágrimas a vista.

O dia-a-dia apresenta-se a um ritmo alucinante, numa espiral vertiginosa, em que os problemas e decepções nos surgem como colcheias e semifusas numa partitura de um prestissimo. Andamos desgastados, irritáveis, confusos e cansados. Não vivemos, existimos.

É o preço que pagamos pela frenética correria atrás do inalcançável.


«É difícil ser feliz; requer espírito, energia, atenção, renúncia e uma espécie de cortesia que é bem próxima do amor. Às vezes é uma graça ser feliz. Mas pode ser, sem a graça, um dever. Um homem digno desse nome agarra-se à felicidade, como se amarra ao mastro em mau tempo, para se conservar a si mesmo e aos que ama. Ser feliz é um dever. É uma generosidade.»

LOUIS PAUWELS


É difícil, mas ninguém disse que ia ser fácil.
É, acima de tudo, a maior luta do ser humano, e como tal, a mais valiosa conquista.
Custa mudar as coisas, mas há sempre solução. Está na hora de largar o sofá, a depressão e os planos suicidas.
E ter a coragem de lutar pelo que nos dá o mais puro desejo de viver.

Sê feliz comigo.

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